Desde o início, atrevo-me até a dizer que antes mesmo de engravidar, meu desejo era que o meu filho viesse ao mundo através do parto normal. Infelizmente, não foi possível (conto outro dia a história do parto), mas desde que saí do hospital, tenho procurado relatos de mães que tiveram seus filhos de parto cesárea e depois tiveram um parto normal.
Numa dessas pesquisas pela internet, achei o site de uma doula chamada Cris. Encontrei lá um relato de parto normal pós cesárea, nomeado VBAC, que significa vaginal birth after c-section, em português “Parto Vaginal após Cesárea”.
Achei um artigo no mesmo site e gostaria de compartilhar o relato da mãe na íntegra e o artigo também. Todos os créditos são do site da Cris!
Relato da Mãe: VBAC (parto vaginal após cesárea) após 1 ano e 6 meses!
16 de abril de 2012 - 2:50

"Escrever sobre um nascimento envolve tantos sentimentos que é muito difícil colocá-los no papel do jeitinho que vivi.
Não posso começar meu relato do parto do Davi, sem antes contar do que vivi no nascimento do meu primeiro filho, o Heitor.
Minha gravidez começou 3 anos e 9 meses antes dele nascer… sim, pois
foram 3 anos tentando engravidar, sem nenhum motivo aparente de
problema… apenas a grande ansiedade de ser mãe. Quando finalmente
engravidei, queria que tudo fosse perfeito, e principalmente o parto. A
cada mês que se passava me informava mais e tinha certeza de que queria
um parto normal. Bem, eu achava que estava bem informada e acompanhada.
Quando completei 40 semanas minha médica disse que achava perigoso
esperar mais tempo, mesmo os exames apresentando resultados perfeitos,
então insisti que esperássemos mais 3 dias. Isto foi uma quarta, e na
sexta comecei a sentir contrações bem leves. Fiquei um pouco assustada, e
a médica pediu para eu ir a maternidade para uma avaliação, meu grande
erro, pois o médico falou que eu estava sem dilatação nenhuma ( o que
hoje sei que não poderia estar mesmo, pois eram os pródomos ) e que o
parto seria muito demorado e que os batimentos estavam caindo. Quando
ele falou batimentos caindo, eu e meu marido nos assustamos e acabei
cedendo a uma cesárea. Por telefone avisei minha médica que nem quis me
examinar antes, e chegou em 20 minutos para fazer a cesárea. Foi
horrível, tive que gritar para ver meu filho na sala de parto, a
recuperação foi extremamente dolorosa, e pior ainda a dor psicológica
por não ter conseguido algo que é só nosso, da mulher. Chorei muito, por
muito tempo por me sentir fraca naquele momento de decisão.
Bem, quando o Heitor estava de 9 meses eu engravidei, e resolvi que
desta vez seria diferente. Mudei de médico, e me informava cada vez
mais.
Quando estava com 30 semanas entrei em contado com a Cris, pois ela
havia sido doula de outras 3 amigas, e elas só me falaram coisas
maravilhosas de seu trabalho. Foi assim que muitas coisas mudaram. Nos
falamos, e em uma de nossas consultas, ela mostrou seu ponto de vista a
respeito da real dificuldade de se ter um parto normal após cesárea. De
fato não seria tão simples assim. Pra começar todos, eu digo TODOS dizem
que vc é maluca de fazer isto. Perigoso demais!!!!!! Os próprios
médicos não querem se envolver , muito mais fácil fazer outra cesárea…… a
Cris me mostrou que meu médico era ótimo, mas que para um caso de
cesárea tão recente, ( esqueci de mencionar teria meu segundo filho 1
ano e 6 meses depois da cesárea), pouquíssimos médicos levariam até o
fim. Foi então que eu me convenci e convenci meu marido de que teríamos
de trocar novamente de obstetra. Eu até poderia ter outra cesárea, mas
sabendo que ela seria o último recurso e que tudo foi tentado. Foi aí
que fiz tudo certo e Conseguimos consulta com a Dra Roxanna, adorei ela
desde o início.
Completei 40 semanas e nada de trabalho de parto. Cada dia que se
passava parecia 1 mês, pois cuidar de um bebezão de 13 kg e grávida não é
fácil. O calor me matava..hehe
Comecei com o pródomos, e geralmente tinha contrações na madrugada,
onde mandava mensagens pra Cris, e ela sempre me respondia prontamente( o
marido que de certo não gostava heheheh). Mas elas passavam sempre
perto das 5 da manha. Consulta, e eu estava seguindo bem, colo mais
fino, 1 cm de dilatação, deveria caminhar e relaxar.
Completei 41 semanas, bebê super bem, e eu muito cansada. Continuava
com as contrações da madrugada, a cada noite mais fortinhas, e depois
passavam. O fantasma da cesárea estava me rondando. 41 semanas e
nada???? Ta passando do tempo, histórias de bebês que morreram por
passar do tempo, que mãe louca. A pressão psicológica dos outros é muito
forte..
Eu caminhei, tomei muito chá, oração, mas o Davi não estava no seu tempo.
Na madrugada de domingo com 41 sem e 4 dias comecei a sentir de fato
as contrações mais ritmadas e doloridas, fiz exame , o Davi estava muito
bem, e foi assim que a Dra resolveu colocar a sonda de folley para
estimular o colo. Isto foi as 11:30 da manha de segunda, assim que
cheguei em casa as dores foram aumentando, e quando era 15 h eu estava
tremendo de dor e me assustei ao ver saindo líquido da sonda. Liguei pra
Dra, que pediu que eu fosse me examinar com seu colega obstetra na
maternidade. Cheguei lá com muita dor, muita mesmo!!!! As grávidas que
estavam esperando pra internar pra cesárea ficaram apavoradas me vendo…
neste momento eu dei risada…
Após atendimento com o dr Fernando Pupin, ele explicou que era o meu
corpo expulsando a sonda, que eu já estava com 3 cm , ( amei ouvir
aquilo ) e concordamos que seria melhor eu já ficar na maternidade.
Fiquei mega feliz!!!! Fomos pra sala gostosinha…. com banheira ( que
acabei nem usando…) fiquei fazendo exercício, caminhando e dando risada
com meu marido. As dores eram totalmente suportáveis.
As 20 h a Cris chegou e a Dra também. As contrações doíam, mas o
pior era fazer o toque. Jesus, como dói. Minhas contrações não eram
ritmadas, de 3 min, depois de 5 min. Bem, a dra achou melhor induzir
com uma dose muito pequena de ocitocina, pois minhas contrações não
tinham ritmo. A partir daí não dei mais risadas. O bicho pegou.
Sinceramente não me lembro muito claramente da ordem dos acontecimentos,
mas vamos lá.
Lembro da Cris me mostrar um livro lindo de partos ( parto com amor –
no início do TP) e de eu pensar : minhas fotos só terão eu com cara
feia..hehe , lembro de irmos para o chuveiro e dela me dar um bombom …
o que me fez relaxar por alguns minutos. Lembro do chuveiro me
incomodar. Lembro da tremedeira que deu. Dos toques extremamente
doloridos ( pelo colo ser difícil de examinar). Lembro de eu chorar
segurando a mão da minha sogra e ela me dar carinho. Lembro da Cris me
fazendo massagens, santas massagens na lombar. E principalmente me
lembro de quando cheguei no meu limite, e gritar pela minha médica
pedindo anestesia. Me senti fraca naquele momento, eu de fato não queria
anestesia, mas eu não suportava mais a dor. Ela tentou me convencer de
entrar na banheira, mas fui irredutível, precisava me livrar por algum
tempo daquela dor, eu não conseguia mais respirar, estava desesperada,
eu tremia muito e fiquei muito assustada. Foi assim que fomos pra sala
de parto e recebi a analgesia.
O mundo voltou a ser colorido novamente heheh. Não sei ao certo
quanto tempo fiquei ali deitada, lembro de conversarmos, darmos risada e
a Dra ajudando na dilatação. Ela pediu que eu me levantasse para
voltarmos para a sala de parto, mas os batimentos do Davi caíam, e eu
deitava novamente. Não sei quanto tempo se passou, e a analgesia foi
passando, as dores voltando, e eu gritando. Nossa, gritei muitooooo!!!
Foi quando pedi outra analgesia e a Dra falou: Janaina estamos com 9 de
dilatação , estamos quase lá, tem certeza que quer outra??? E eu pensei,
ta bom ta bom, então vamos logo com este negócio!!! Bem, na verdade
pensei em alguns palavrões.heheh e não tomei outra anestesia. Tentamos
levantar da maca mais 2 vezes, mas os batimentos sempre caíam, e eu
teria que ter o Davi ali mesmo, pois se houvesse complicações já
estaríamos na sala de cirurgia.
De repente começou a entrar um monte de gente na sala, eu ali
peladona, deitada de perna aberta, gritando, e trouxeram um bebezinho da
cesárea da sala ao lado para se aquecer no berço. Neste momento eu já
estava dizendo que não agüentava mais, chorava, gritava e a Cris passou a
Mao no meu rosto e disse: Jana, olha esse bebezinho, logo vai ser o teu
, no teu colo. Força , ta quase chegando!!!
De fato isto me deu força, fico
emocionada em lembrar desta imagem. Mas como as coisas foram dificeis
pra mim, o Davi estava com a cabeça de lado, e não estava descendo. A
Dra estava tentando girar a cabeça, e eu via estrela a cada vez que ela
tentava. Então o dr fernando entrou na sala pra dar uma espiada e acabou
participando da festa. Ele virou o Davi, e comecei a sentir vontade de
empurrar. E é exatamente como descrevem. O corpo é perfeito e faz força
sozinho. A Dra dizia: Janaina, estou vendo o cabelo, ele é muito
cabeludo. Depois de algumas forças, ela disse para eu sentir meu filho
saindo, e toquei na cabecinha dele. Momento mágico. Não sei quanto tempo
se passou no expulsivo, acho que foi 1 hora, mas para mim, parece ter
sido 5 minutos. Meu marido foi chamado, e ficou no expulsivo comigo. Ele
me surpreendeu, pois desde o início da gravidez disse que não queria
estar junto, que não agüentaria me ver sofrendo e no final ficou comigo,
foi maravilhoso pois me enchia de força toda vez que ele me beijava o
rosto. Depois de mais algumas forças o Davi coroou e foi aí que a Dra
pediu que eu não fizesse mais força, para massagear o períneo. Mas a
esta altura eu queria que tudo acabasse e numa última contração meu Davi
nasceu! Que sensação maravilhosa! Ele foi colocado direto no meu peito,
todo sujinho, com aquele cheiro maravilhoso! Não existe sensação melhor
no mundo! Isto é sim é trazer uma vida ao mundo! Me senti poderosa!
Fiquei admirando minha cria, cantei pra ele, ofereci meu peito, e
ficamos ali nos conhecendo!
Levei alguns pontinhos, pois não obedeci a Dra e fiz força quando não podia..heh
Entrei num estado de graça, nem eu acreditava que havia conseguido. Minha recuperação tem sido ótima, infinitamente melhor que minha cesárea.
Alguns pontos importantes que deixo para minhas colegas de parto: todas nós somos capazes, e temos que ser as protagonistas da nossa história. Várias pessoas dirão que vc é louca, irresponsável, mas apenas vc saberá o que é melhor para vc e seu bebê. Procure profissionais que realmente dêem valor ao parto normal, pois a maioria finge, e na hora H arruma várias desculpas para uma cesárea. E para finalizar: a partolândia existe!!! É um mundo paralelo das grávidas….
Agradeço a Deus por estar a frente do meu caminho.
Janaína Leite.
Ps: Alguns comentários que quero fazer ( é a Cris). Ela não gritou nada hahaha, ela acha que fez escândalo mas não fez. Ela foi muitooo guerreira em toda a gestação porque sofreu muito preconceito inclusive de pessoas íntimas, e lutou muito para conseguir seu VBAC, ela realmente correu atrás, se informou, e fez as escolhas certas. É muito importante que quem pretende ter parto natural, especialmente VBAC, ter um obstetra realmente a favor do parto natural, conversar com mulheres que pariram com os profissionais, as rotinas, os exames, para tomar uma decisão
sem arrependimentos. A Jana fez tudo isso, e foi maravilhoso acompanhar uma mulher tão empoderada como ela.
Obrigada querida por tudo! Beijão!
Cris Melo"
Entrei num estado de graça, nem eu acreditava que havia conseguido. Minha recuperação tem sido ótima, infinitamente melhor que minha cesárea.
Alguns pontos importantes que deixo para minhas colegas de parto: todas nós somos capazes, e temos que ser as protagonistas da nossa história. Várias pessoas dirão que vc é louca, irresponsável, mas apenas vc saberá o que é melhor para vc e seu bebê. Procure profissionais que realmente dêem valor ao parto normal, pois a maioria finge, e na hora H arruma várias desculpas para uma cesárea. E para finalizar: a partolândia existe!!! É um mundo paralelo das grávidas….
Agradeço a Deus por estar a frente do meu caminho.
Janaína Leite.
Ps: Alguns comentários que quero fazer ( é a Cris). Ela não gritou nada hahaha, ela acha que fez escândalo mas não fez. Ela foi muitooo guerreira em toda a gestação porque sofreu muito preconceito inclusive de pessoas íntimas, e lutou muito para conseguir seu VBAC, ela realmente correu atrás, se informou, e fez as escolhas certas. É muito importante que quem pretende ter parto natural, especialmente VBAC, ter um obstetra realmente a favor do parto natural, conversar com mulheres que pariram com os profissionais, as rotinas, os exames, para tomar uma decisão
sem arrependimentos. A Jana fez tudo isso, e foi maravilhoso acompanhar uma mulher tão empoderada como ela.
Obrigada querida por tudo! Beijão!
Cris Melo"
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